Romã com travesseiro nasceu da minha vontade e da necessidade de escrever.Falar do mundo, falar de tudo...O nome saiu de uma música do grupo Legião Urbana, chamada:"se fiquei esperando meu amor passar", na qual o eu lírico diz:"sei rimar romã com travesseiro".Sempre pensei em qual seria o "porquê" deste verso, o que queria dizer....Pesquisei ,li, reli e cantei a letra diversas vezes ...A minha conclusão(temporária) foi que o amor permite que coisas aparentemente impossíveis aconteçam, o amor dá a liberdade para que possamos fazer tudo, inclusive "rimar romã com travesseiro".Talvez não tenha sido esta a intenção dos autores , mas como leitora tenho todo o direito de fazer a minha (re)leitura, a minha interpretação...Romã com travesseiro é uma rima impensada, mas não impossível.







sábado, 22 de outubro de 2011

Esperança




Há dias melancólicos
Há nostalgia e tristeza também
Há uma vontade enorme de reviver
Pequenos pedaços da vida
Há a certeza de que o tempo
vai, deixando  marcas...
Há você
mas não há mais nós

Há uma janela que se abre
Há portas que se fecham
Há muitas escolhas
Há um  caminho
Que garante a felicidade
Não há garantia de que
o amor ande
Nesse mesmo caminho...

Há o medo de seguir
Mas há vontade de continuar
Há o novo
Mas há o medo de arriscar
Ou arriscar-se

Há um lindo sol
Mas há raios que queimam
Há a esperança
E nada há que a impeça
De seguir


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

"O vento vai dizer, lento, o que virá..."




Quantas vezes a vida nos surpreende?
Ana havia sido surpreendida, pela primeira vez, com um amor possível. Mas na possibilidade do acontecimento, descobriu que o homem  que lhe devolvera a esperança, na verdade era um  garoto. Duvidou mais uma vez do amor, mas quis arriscar. Sempre ouvira que o "amor não tem idade". E voou. E amou. E foi amada. E foi feliz, pois descobriu que o risco -além de companheiro do medo- é um dos nomes da felicidade.



sexta-feira, 9 de setembro de 2011

"El tiempo lo dirá..."

 Todos os dias, quando acordava, insistia em lembrar do que não havia acontecido. Estranha mania aquela: de sentir falta do que nunca teve, do que nunca viveu, de quem nunca a amou, do que nunca...nunca. Gostava de pensar no tempo, acreditava que ele realizaria todos os seus desejos...mas não se sentia capaz de esperar ...
No entanto, deixou que o tal tempo resolvesse a sua vida: encarregando-o de retirar todas as lembranças, mas só aquelas: os beijos que não foram dados, os abraços que tiveram que ser guardados, as palavras que não ecoaram, o arrependimento de não ter sentido, quando isso lhe foi permitido...
"Senhor Tempo, quando é que o meu querer estará em sintonia com o meu viver ?", esta pergunta residia em seus pensamentos...mas não adiantava, a resposta não vinha: ainda não estava no tempo... 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

"Toca pra mim..."

Não tinha jeito: ou se rendia ao som daquela paixão ou se tornava surda...Era inexplicável o que sentia quando o ouvia tocar. Ela acreditava desafiar a percepção sensorial, pois, conseguia ver-através daqueles acordes-um lugar bonito - chamado por alguns de paraíso.O Éden perdido...
Aquele garoto era absolutamente normal, mas havia algo na sintonia entre a sua voz e  o som do seu violão...Seria ele "el príncipe azul"? Não sabia, mas queria descobrir. Era o que ela mais queria...Amava vê-lo, tanto quanto ouvi-lo. Mas quando visão e audição eram aguçadas simultaneamente, o mundo parava, e então, era só eles dois...
De repente, sentia-se triste, porque sabia que aquele momento iria acabar: o "pra sempre sempre acaba" (e pra ele talvez nunca tivesse começado- isso também a entristecia). Por isso, seguia calada. Guardava em si todo o amor que havia  juntado, todo o amor que ainda não havia morrido...Ela não sabia se os dois, um dia, formariam uma só nota: um Lá maior ou menor, um Si. Disso ela não sabia. Mas na verdade, pouco importava, porque ainda poderia ouvi-lo tocar e sabia, que neste momento, qualquer acorde realizado faria renascer, em seu peito, aquele amor -que de tão persistente- já era considerado imortal, ou simplesmente, uma canção de incerto final, talvez sem final...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Homicídio

Hoje a ferida foi reaberta
Acho que você  nunca vai cicratizar
Você consegue me deixar triste
Sem precisar fazer nada
Você consegue me deixar feliz
Fazendo quase nada
Assim, entre a felicidade e a tristeza
que você causa em mim
Existe uma linha tão fina
Quanto aquelas da teia de aranha
Quando lembro que você existe
Vive, respira sem ter a necessidade
 minha que eu tenho de você...

Ouço sons que me lembram seu sorriso
Vejo alguém que me leva à sua presença
Sinto o vento e sou levada pela imaginação
A sentir o teu toque...
Que triste é meu fim, meu estado
Gostar de você não é uma escolha
É uma loucura que se apoderou
De minha  mente,tornando-a insana

Eu quero te esquecer
Diz que não gosta de mim
Eu preciso ouvir um não tão
triste quanto a tua ausência
Eu preciso te matar em mim
Para que eu não morra sem você

domingo, 24 de julho de 2011

"Desculpe,estranho...Eu voltei mais puro..."

Todos os dias sentia a mesma coisa: a sensação de não  se encaixar neste mundo... E não é que não gostasse de nada que via; era a certeza de ter que ver e sentir aquelas coisas, que para alguns  era fonte de alegria e a ela lhe causavam nojo e piedade.Será que via além? Ou será que não via nem o que os outros viam...Não se sabe, não se saberia: ao menor questionamento, lhe tomariam como louca. Mas não dizem que os loucos- incensuráveis pelas vergonhas humanas- são mais sinceros em tudo que dizem? O mundo não saberia lidar com suas inseguras certezas. Assim, desejava conhecer um outro planeta, no qual a sua estranheza se transformasse em qualidade, e a sua forma diferente de conceber a realidade não fosse doença. Quis ser livre. Livre.Talvez feliz.Talvez menos triste.Quis viver...E para isso tomara uma decisão: pegaria um ônibus espacial. Pagaria tudo o que tinha para ser normal em um lugar estranho com pessoas estranhas.Queria se sentir amada e acolhida, não sabia por quem, só sabia que aqui, neste mundo, isso nunca iria acontecer. Já tinha experimentado,e a dor resultante de tais tentativas era muito superior a pior dor que um ser humano normal poderia suportar...E ela suportara.Tão pouco desejava da vida, que este pouco não foi visto, nem sentido.Agora só lhe restava conhecer outros seres.Talvez aqueles que viviam em sua imaginação...Nesta noite, em  que esperava a sua vez de ser executada pelo crime de querer ser normal num mundo de pessoas estranhas, visitou outros lugares. Tomou  o ônibus espacial. Mas teve que retornar assim que seu nome foi chamado: era a voz do carrasco, que levaria de uma vez por todas a sua vida. Só neste momento percebeu que talvez já estivesse morta há muito tempo, desde o dia em que mataram os seus sonhos, chamando-os de loucura.
Não sabiam eles que sem sonhos é impossível permanecer vivo.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

"E sigo buscando..."

O passado em construção
Beirando um presente incerto
E um futuro imperfeito
Ânsias no peito, vontade de regredir ou progredir
Vistas no novo, no porvir
Olhos abertos voltados para o céu
Buscando caminhos ou uma saída:
A possibilidade de reinventar ou reiventar-me
O que viver?As notícías lá fora
Refazem o meu ser,
As pessoas aqui dentro, no meu peito,
Não sabem me dizer pra onde ir
Também estão perdidas...

E sigo buscando...

Encontro a dor abraçada com o sofrimento
Riem porque conseguiram parar alguns
Dizem:"Fomos mais fortes, vencemos!"
Passo perto, e me dou conta
De um corte, o sangue escorrendo...
São lágrimas, são pétalas vermelhas
Que marcam o meu caminho

E sigo buscando...

Só aí percebo:era meu coração
Que estava ferido
O corte aumentava
E eu via meu coração, cada vez mais
Perto do chão
Vi a morte também
Vi que as lágrimas, o sangue, as pétalas
Não caíam, nasciam
Porque eu tentava encontrar alguém
Que ao cruzar  pelo meu caminho
Se perdeu também...